[ Ai= harmonia ki = energia do = caminho ]
O Aikido é Budo (caminho marcial), fundado por Morihei Ueshiba (1883-1969) depois que este adquiriu maestria em muitas artes marciais japonesas tradicionais e passou a se dedicar a um profundo treinamento espiritual.
O fundador disse uma vez: "Já estudei muitos tipos de artes marciais: Yagyu Ryu, Shinyo Ryu, Kito Ryu, Daito Ryu, Shinkage Ryu e outras mais, mas o Aikido não é uma combinação dessas artes. Todas as técnicas do Aiki funcionam por meio do Ki."
O mestre Morihei disse, ao explicar a verdadeira mentalidade do Aikido: "No verdadeiro Budo, não existe inimigo. O verdadeiro Budo é uma função do amor. Ele não luta ou destrói, mas sim protege e alimenta todas as coisas. A arte marcial cujo único interesse é vencer ou perder não é um Budo de verdade. O verdadeiro Budo é Masakatsu, Agatsu, Katsu Hayabi (A verdeira vitória é a vitória sobre si mesmo, agora). Essa é a vitória absoluta, absoluta porque não luta contra nada. Conquistar a vitória é livrar a mente da discórdia e do conflito que existe dentro de nós."
O Aikido é o caminho (Do) para o Aiki. É um sistema de treino marcial que visa o desenvolvimento do Ki para a melhor compreensão desse caminho.
MORIHEI UESHIBA (1883-1969), foi um dos maiores mestres de artes marciais da história. Mesmo aos 80 anos, Morihei podia desarmar qualquer inimigo, jogar no chão qualquer número de atacantes e segurar um oponente com um simples dedo. Muito embora invencível como um guerreiro, Morihei era acima de tudo um homem de paz que detestava a luta, a guerra e qualquer espécie de violência. Seu caminho era o Aikido, que também poderia ser traduzido como "A Arte da Paz".
Morihei na sua juventude serviu como um infante na guerra Russo-Japonesa, mais tarde lutou contra bandidos e piratas durante uma aventura na Mongólia, e então, após dominar um certo número de artes marciais, serviu como um instrutor em muitas academias militares de elite no Japão. Durante toda a
sua vida, entretanto, Morihei foi dolorosamente perturbado pelas disputas e lutas que eram como uma praga para o seu mundo: seu pai batalhou com políticos corruptos e seus asseclas, com a devastação causada pela guerra e com a brutalidade dos líderes militares do seu país.
Morihei estava numa busca espiritual e foi transformado por três visões. A primeira ocorreu em 1925, aos 42 anos de idade. Após ter derrotado um famoso mestre da espada evitando todos os seus cortes e arremetidas (Morihei estava desarmado), Morihei foi para o seu jardim. "Subitamente a terra tremeu. Um vapor dourado saiu da terra e me engolfou. Senti que me transformava em uma imagem dourada, e meu corpo parecia tão leve como uma pena. Imediatamente compreendi a natureza da criação: o caminho do guerreiro é manifestar o amor divino, um espírito que abraça e nutre a todas as coisas. Lágrimas de gratidão e alegria escorriam na minha face. Eu via toda a terra como sendo o meu lar, e o Sol, Lua e estrelas, meus amigos íntimos. Desapareceram todos os apegos às coisas materiais."
A segunda visão teve lugar em dezembro de 1940. "Por volta das 2h da manhã, estava realizando a purificação ritual, quando subitamente esqueci cada técnica de arte marcial que tinha aprendido.
Todas as técnicas transmitidas a partir de meus instrutores pareciam ser completamente novas. Agora elas eram veículos para o cultivo da vida, do conhecimento, da virtude e do bom senso, e não instrumentos para segurar e jogar no chão as pessoas."
A terceira visão ocorreu em 1942, durante a pior luta da 2a Grande Guerra em um dos mais negros períodos da história humana. Morihei teve uma visão do grande espírito da paz, uma senda que poderia levar à eliminação de toda a luta e reconciliação da humanidade. "O caminho do guerreiro foi mal compreendido e considerado como um meio para matar e destruir os outros. Aqueles que buscam a competição estão cometendo um grande erro. Esmagar, injuariar ou destruir é o pior pecado que o ser humano pode cometer. O caminho real de um guerreiro é impedir a matança - é a Arte da Paz, o poder do amor."
Morihei isolou-se no campo e devotou cada minuto da sua vida a partir daí a refinar e difundir o Aikido, a Arte da Paz.
* Texto extraído do livro: "The Art of Peace" - Teachings of the Founder o Aikido, escirto por John Stevens.
Uma Breve História Por Kisshomaru Ueshiba 2º Doshu filho do Fundador do Aikido.
O pai de mestre Ueshiba, Yoroku, era um proprietário de terras relativamente próspero que também tinha participação nos negócios de pesca e de madeira. Respeitado pelas pessoas de sua comunidade, foi membro dos conselhos da vila e das cidades de Nishinotani e de Tanabe, na prefeitura de Wakayama. O jovem Ueshiba reverenciava o seu pai, e este, vendo grande potencial no filho, propiciou-lhe todo o apoio material e moral para levar adiante suas ambições além do mundo limitado de seu lugar de nascimento. O filho, entretanto, sentia que não havia correspondido às expectativas paternas e, em 1901, com 18 anos de idade, foi a Tóquio, onde realizou um curto aprendizado no mundo dos negócios. No ano seguinte, abriu a Loja Ueshiba, que distribuía e vendia artigos escolares e para escritórios, mas Ueshiba adoeceu e o pequeno negócio fracassou.
Pouco depois, alistou-se no Exército Imperial Japonês e lutou na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). Foi promovido a sargento e teve uma baixa honrosa. Então, em 1912, aos 29 anos, reuniu um grupo de 54 famílias, com um total de mais de 80 pessoas do seu povoado natal, e fundou uma nova colônia em Shirataki, Hokkaido. Na época, essa prefeitura era uma área aberta recentemente ao desenvolvimento e acolhia de bom grado todos que quisessem trabalhar na terra. Durante sete anos como líder dessa colônia, ele cultivou a terra, serviu como membro do conselho da cidade e contribuiu para o desenvolvimento da região de Shirataki.
Embora mostrasse certo talento para liderança, ainda sentia que não havia
realizado as grandes esperanças que seu pai depositou nele. A morte do
pai, devida a doença, em janeiro de 1920, causou-lhe um grande choque. Abandonando tudo em Hokkaido, voltou para casa, mas passou por um período de profunda angústia psicológica. Procurou então a orientação de Onisaburo Deguchi, o carismáticomestre religioso da seita Ômoto, derivada do Shintô. Sob a proteção deste grande mestre, o Fundador viveu na Sede Central Ômoto em Ayabe, Prefeitura de Kyoto, praticou os ritos de meditação e de purificação Shintô e contribuiu para o fortalecimento dessa nova religião.
Os oito anos em Ayabe (até mudar-se para Tóquio em 1927) foram anos de formação no desenvolvimento espiritual do Fundador. Durante esse tempo, estudou a filosofia Shintô e dominou o conceito de koto-dama (literalmente, palavra-espírito).
Depois da morte do pai e durante sua estada em Ayabe, a dedicação do Fundador ao Budô tornou-se absolutamente exclusiva, antes de mais nada, devido ao incentivo de Deguchi. Antes dessa época, ele havia praticado e dominado diversas artes marciais, incluindo a arte da espada na Escola Shinkage, jujutsu nas escolas Kitô e Daitô e outras. Uma de suas realizações mais notáveis foi receber o mais alto certificado da Escola Daitô das mãos do Mestre Sokaku Takeda, a quem havia encontrado casualmente num albergue de Hokkaido em 1915, quando estava com 32 anos de idade. Foi este estilo de Jujutsu que abriu os olhos do Fundadora o significado profundo das artes marciais; os princípios da Escola Daitô diferem dos do Aikido, mas muitas técnicas são comuns.
O motivo que levou Deguchi a incentivá-lo a concentrar-se nas artes marciais foi que conhecia o rico e variado embasamento do Fundador no Budô e anteviu esse caminho como um dos mais adequados ao temperamento, habilidade e aspirações dele. Aconselhou o Fundador a destinar uma parte de sua residência em Ayabe para abrir um dojô. Levando este conselho a sério, o Fundador abriu o modesto Ueshiba Juku, com 18 tatames.
O Ueshiba Juku era originalmente destinado aos jovens da Seita Ômoto mas como o nome de Morihei Ueshiba, O Mestre de Budô de Ayabe, passou a ser amplamente conhecido, outras pessoas também começaram a freqüentar o dojô, sendo os mais notáveis os jovens oficiais do vizinho porto Maizuru. Sua fama se espalhou e os estudantes começaram a vir de Tóquio e de outras partes distantes do Japão.
A partir de 1920, mestre Ueshiba já pensava seriamente em estabelecer sua própria forma independente de Budô, e em 1922 proclamou o Aiki-bujutsu como uma nova forma de arte marcial. Como o termo bujutsu sugere, essa nova forma de arte mantém os princípios e técnicas de artes marciais mais antigas, que apresentam certas diferenças do Aikido atual. Sua originalidade aparece no uso de aiki como um termo específico.
Parece que o Aiki-bujutsu não foi aceito imediatamente. As pessoas se referiam ao novo Budô como o Ueshiba-ryu ou Ueshiba-ryu-Aikibujutsu. Ainda assim, a fama de mestre Ueshiba continuava a espalhar-se por todo o país. O momento decisivo aconteceu em 1924-1925, quando, como se observou anteriormente, participou de uma expedição ao Interior da Mongólia e, logo depois de retornar, quando desafiado por um jovem oficial da Marinha em Ayabe, experimentou o sumi-kiri, a claridade da mente e do corpo que tornou possível a unidade do ki universal com o ki individual. Tinha então pouco mais de quarenta anos, e foi esse fato que definiu a fundação de sua arte marcial.
No outono de 1925, depois de insistentes pedidos de seu admirador e protetor, Almirante Isamu Takeshita, o Fundador foi a Tóquio para realizar uma demosntração diante de uma distinta platéia, entre a qual se encontrava o ex-primeiro-ministro, Conde Gonnohyôe Yamamoto.
O conde Yamamoto ficou profundamente impressionado pela demonstração do Fundador e solicitou-lhe que dirigisse um seminário emprecial de 21 dias, no Palácio Anexo de Aoyama, para especialistas de alto nível de Judô e Kendô do pessoal da Casa Imperial. Na primavera de 1926, foi novamente convidado pelo almirante Takeshita a ir a Tóquio, onde ministrou aulas de Aiki-bujutsu a integrantes do Pessoal da Casa Imperial, a oficiais do Exército e da Marinha e a figuras de destaque do mundo da política e dos negócios. Em 1927, a pedido do almirante Takeshita e de Ônisaburo Deguchi, deixou Ayabe para sempre e mudou-se para Tóquio.
Durante os três anos seguintes, instalou diversos dojôs no distrito de Chiba, em Tóquio, e treinou muitas pessoas em Aiki-bujutsu, incluindo especialistas de alto nível de outras artes marciais. Houve sinais de reconhecimento do Budô do Fundador como algo mais do que as artes marciais tradicionais, e algumas pessoas começaram a usar o termo AIKIDO para descrevê-lo. Em outubro de 1930, Jigoro Kano, fundador do Judô Kodokan, teve oportunidade de ver a arte magnífica de mestre Ueshiba, aclamou-a como o Budô ideal e, até mesmo, enviou-lhe alguns de seus melhores alunos.
Apesar das tentativas de seleção, o número de alunos continuou a crescer, e o Fundador teve de enfrentar a necessidade de um dojô maior.
Em 1930, estabeleceu um novo dojô em Wakamatsu-cho, Tóquio, inicialmente alugando e mais tarde adquirindo a propriedade da família Ogasawara. O novo centro de treinamento, chamado Kobukan Dojô, ficou terminado em abril de 1931. Como se observou anteriormente, o Dojô da Sede Central de Aikido ocupa atualmente o mesmo lugar.
Em 1936, o Fundador decidiu que era hora de tornar clara a diferença entre as antigas artes marciais e a sua arte, dada a ênfase filosófica e espiritual que havia incorporado a esta última. Sentindo que a essência de sua nova arte era diferente da antiga tradição das artes marciais, abandonou o termo bujutsu e deu à sua arte o nome de Aiki-Budô. Esse passo necessário e inevitável lançou os fundamentos do futuro da sua escola. Como fundador de um novo sistema de arte marcial, sentiu profundamente a responsabilidade de subordinar sua busca pessoal à expansão do caminho entre todos os que poderia interessar-se por ele.
Em 1939 apresentou um pedido formal para que sua organização fosse reconhecida como instituição de personalidade jurídica com o nome de Kôbukai. A aprovação do pedido no ano seguinte oficializou o Aikido e marcou o início de sua Idade de Ouro. O número de membros aumentou e nome de mestre Ueshiba tornou-se mais conhecido do que nunca.
A erupção da Guerra do Pacífico, em dezembro de 1941, e a virada crescente na direção do militarismo na sociedade japonesa só podiam dificultar o desenvolvimento do Aikido. Com o recrutamento da maioria dos jovens para as Forças Armadas, o número de alunos ficou visivelmente reduzido. Na tentativa de mobilizar o país para o esforço de guerra, o governo, entre outros movimentos, ordenou a unificação dos diversos grupos de artes marciais num corpo único sob o seu controle. Assim, em 1942, várias tradições de Judô, de Kendô e de outras artes marciais juntaram-se para formar a Grande Associação Japonesa da Virtude e das Artes Marciais.
Embora o Fundador não expressasse suas objeções a essa ordem governamental, parece que estava definitivamente descontente com o fato de que o Budô que havia desenvolvido diferente de outras formas marciais, fosse obrigado a tornar-se parte de uma organização dessas. Firmemente disposto a não se misturar com outros grupos como apenas mais uma forma de arte marcial, chegou a sentir que o nome Kôbukan Aiki-Budô sugeria que se tratava meramente do ramo ou estilo Kôbukan de alguma arte mais ampla. Decidiu então proclamar o novo nome AIKIDO para identificar sua arte como uma forma original e distinta de Budô, entrando para a associação com o novo nome. Em fevereiro de 1942, o Aikido foi reconhecido oficialmente como o nome da escola do Fundador. Eram decorridos 22 anos desde o nascimento do Ueshiba Juku em Ayabe.
• O segredo do Aikido está em limpar e purificar-se do mal existente em nós, e harmonizar-se com o movimento do universo, unindo-se com ele e tornando-se parte dele. Aqueles que conseguem absorver e internalizar esse princípios têm o universo dentro de si, assim podem dizer: Eu sou o universo.
• Como nos limpamos do mau Ki dentro de nós, limpamos nosso coração e mente e nos pomos de acordo com o ritmo universal de todas as coisas? Para fazer isso, devemos primeiro fazer nosso o espírito do universo.
• O que é o espírito do universo? É um amor que tudo envolve, que se expande em todas as direções, existe o tempo todo passado, presente e futuro e se estende para todos os cantos do universo.
• As artes marciais devem ser o caminho que leva nosso coração à união com o espírito do Céu e da Terra, para completarmos nossa missão na vida, instilando em nós amor e reverência pela natureza.
• O amor não conhece conflitos e não têm inimigos. O espírito do universo é um espírito que não reconhece pessoa alguma como inimigo e não entra em conflito. Quem age em discórdia com o espírito do universo não pode se harmonizar com ele. Quem não tem o espírito em sintonia com o espírito do universo não pode se harmonizar com os movimentos do universo. O budo de alguém que age em discórdia com os movimentos do universo é o budo da destruição e não o verdadeiro budo.
• Uma arte marcial na qual há conflito, vitória ou derrota não é o verdadeiro budo.
• O verdadeiro budo é Masakatsu Agatsu Katsu Hayabi e, portanto, não pode ser vencido. Em outras palavras, ser invencível é nunca se opor a alguém ou lutar. Para ser sempre vitorioso deve-se vencer o conflito que existe dentro de nosso coração, derrotando a vontade de disputar e vencer os outros; e continuar a completar a missão que Deus nos deu.
• Este budo é uma revelação de Deus. Se praticá-lo por 3 meses, você não terá inimigos sob o céu.
• Por mais que se escreva sobre o assunto, por mais que muitas coisas sejam ditas, não se pode compreender completamente este budo. Este budo está acima de qualquer descrição.
• Aiki é o caminho para a harmonia. É a manifestação da forma natural de todos os seres na qual a humanidade e o universo estão unidos como um só. Em outras palavras, há só um centro no universo, e é o movimento desse centro que governa o
mundo. O universo inteiro é uma família. Aiki elimina a luta, o conflito e a guerra do mundo. É um mundo de amor – munido da emoção do amor divino expressado pelo Criador. Sem amor, as nações, o mundo e finalmente o universo encontrarão somente a destruição. Calor e luz também são gerados pelo amor. Aikido realiza esse ideal no mundo espiritual.
• O Aikido é o caminho que une nosso coração com o espírito do universo para completarmos nossa missão na vida, nos enchendo de amor e reverência por toda natureza.
• Não há formas fixas no Aikido. Não há padrões porque ele é o estudo do espírito. Ele não deve ficar preso a um padrão, pois assim não conseguirá realizar a técnica com sensibilidade. No Aikido começamos com a limpeza do Ki da alma de cada praticante. Em seguida, a reconstrução do espírito é essencial. Através do corpo físico, a execução do kata é feita pelo haku (o eu inferior). Estudamos o Kon (o eu superior/espírito). Nós devemos avançar harmoniosamente em nossa prática unindo o eu superior e o
inferior. O eu superior deve usar o eu inferior nesta tarefa para atingir seus propósitos.
• Não se preocupe com problemas e dores futuras, pois isso só serve para cansar o corpo e o espírito; esvazie sua mente e não se sobrecarregue.
• Aikido não é a arte de lutar usando força bruta ou armas letais, ou mesmo o uso do poder físico para destruir o inimigo, mas um meio de harmonizar o mundo e unificar a raça humana como uma família. É um caminho de serviço que trabalha pelo espírito de amor e harmonia universal de Deus por meio da realização do papel de cada indivíduo no mundo. Este é o caminho do universo; treinar Aikido é treinar a técnica divina usada pelo universo. Ponha isso em prática e o poder do universo se manifestará em você, que estará em sintonia com o próprio universo.
• Takemussu é a geração de técnicas marciais espontâneas
permanecendo em acordo com o poder e a estrutura da natureza.
• O aiki de que as artes marciais convencionais falam e o aiki do qual falo são fundamentalmente diferentes tanto em essência como em substância. Espero que você pense sobre isso.
• Ao conhecer o verdadeiro Aiki, a idade desaparece. Ficar estagnado diante de limitações baseadas no eu inferior é prova de treino inadequado, e não uma conseqüência da idade avançada.
• O Ki do amor é como a luz do Sol; acima, abaixo, à esquerda, à direita, atrás, na frente; você deve se envolver nele.
• Executar as técnicas ao se praticar Aikido sempre em harmonia e de acordo com os princípios do universo é essencial. Isso nada mais é que adotar um espírito sincero. O progresso e o avanço no treino do budo irá falhar se o praticante continuar voltado apenas para si e concentrando somente em seu ego. Esse tipo de budo é errado e irá inevitavelmente voltar-se contra ele, lhe trazendo infortúnios. Em vez disso, deve-se formar uma conexão sincera e harmoniosa com o ki do universo sem se prender a sentimentos de preocupação com o sucesso ou o fracasso. Quando os sentimentos e intenções estão presos ao corpo físico, não há renascimento e regeneração. As coisas ganham vida primeiro através de uma união harmoniosa, pela qual sentimentos e intenções se transformam em poder divino e todas as coisas ficam claras.
• Não está definido que o grande irá vencer o pequeno; o pequeno acumula e torna-se grande, o grande se fragmenta e fica pequeno.
• Estudar e treinar uma arte marcial é cultiva o poder de expansão e contração do espírito e sua aplicação.
• As técnicas padrões em si são apenas secundárias. Encontre o verdadeiro significado essencial por trás delas, despertando a sua alma a aprendendo a dominar o coração.
• O espírito inferior vence por lutar, o espírito superior vence sem lutar. O coração e o segredo das artes marciais estão em vencer sem lutar.
• Não há limites para se elevar e purificar o espírito com liberdade. Esse é o ensinamento secreto do takemussu.
• O verdadeiro propósito da vida é construir um Céu eterno e infinito na face da Terra.
• Encontrar-se num estado de felicidade, livre do ego, é um princípio essencial das artes marciais.
• Se o teu coração é bastante grande para envolver os teus adversários, podes ver através deles e evitar os seus ataques. E uma vez os tenha envolvido, serás capaz de guiá-los ao longo da senda que a ti foi indicada pelo Céu e a Terra.
• Seja grato mesmo diante de todos os sofrimentos, recuos e más pessoas. Lidar com tais obstáculos é uma parte essencial do treinamento da Arte da Paz.
• O fracasso é a chave para o sucesso; cada erro nos ensina alguma coisa.
• Há dois tipos de Ki: o Ki comum e o verdadeiro Ki. O Ki comum é rude e pesado, enquanto o verdadeiro Ki é leve e versátil. A fim de atuares bem, tens que te libertar do Ki comum e embeber os teus órgãos com o verdadeiro Ki. Essa é a base de uma poderosa técnica.
• O teu espírito é o verdadeiro escudo.
• A real Arte da Paz não é para sacrificar nenhum dos teus guerreiros para que derrotem um inimigo. Vence todos os teus inimigos sempre ficando em uma posição segura e inalcançável; então ninguém irá sofrer qualquer perda. O caminho de um guerreiro, a arte da política, é fazer parar os problemas antes que eles comecem. Consiste em derrotar os adversários espiritualmente fazendo com que eles compreendam a tolice de suas ações. O caminho de um guerreiro é estabelecer a harmonia.
• Joga fora os pensamentos limitadores e retorna à verdadeira vacuidade. Permanece firme no meio do Grande Vazio. Este é o segredo do caminho de um guerreiro.
• As técnicas do Caminho da Paz mudam constantemente; cada encontro é único, e a resposta apropriada deve emergir naturalmente. As técnicas de hoje serão diferentes das de amanhã. Não fiques preso à forma e aparência de um desafio. A Arte da Paz não tem forma - pois é o estudo do espírito.
• Quando te curvas profundamente para o universo, ele retribui a reverência. Quando chamas pelo nome de Deus, ele ecoa no teu interior.
• O divino não gosta de ficar fechado num prédio. O divino gosta de estar fora a céu aberto. Ele está aqui neste próprio corpo. Cada um de nós é uma miniatura do universo, um santuário vivo.
• O teu coração está cheio de férteis sementes, esperando para brotar. Assim como a flor de lótus brota da lama, esplendidamente, a interação da respiração cósmica faz com que a flor do espírito floresça e dê futos para este mundo.
• Considera o fluir e o refluir da maré. Quando as ondas e se chocam com a margem, elas se elevam e caem criando um som. A tua respiração deve seguir o mesmo modelo, absorvendo o inteiro universo no teu ventre em cada inalação. Saiba que nós todos temos acesso a quatro tesouros: a energia do Sol e da Lua, o sopro do céu, o sopro da terra e o fluir e refluir da maré.
• Mesmo o mais poderoso ser humano tem uma limitada esfera de poder. Tenta atrair o teu adversário para fora daquela esfera e faz com que entre na tua, e todo o seu poder se dissipará.
• Porque não existe competição no Aikido?
No Aikido, não existe o conceito de derrotar o oponente. Se as competições forem permitidas, o desejo de vencer e o desejo de aniquilar o oponente surgirão; essa fixação torna impossível que a pessoa se mantenha em harmonia com a natureza. Uma fixação como essa está em oposição direta à harmonia entre o Céu e a Terra. O grande propósito do Aikido é nos unir à natureza e nos levar a agir de maneira harmoniosa com todas as coisas, no Céu e na Terra. É impossível atingir esse estado numa competição organizada, e por isso não temos competições no Aikido.
•Qualquer pessoa pode praticar o Aikido, homens, mulheres, velhos e crianças?
Sim. O Aikido é baseado nos movimentos naturais por isso o corpo não sofre um stress excessivo. Ele não requer grande força física e pode ser praticado por qualquer pessoa que tenha vontade de praticá-lo.
•O condicionamento físico, como o treinamento com pesos, é necessário no Aikido?
Não. Se seus movimentos forem naturais, a força física em excesso torna-se desnecessária, e você pode continuar a aplicar as técnicas do Aikido independentemente de sua idade. Se além da prática de Aikido, você também fizer treinamento com pesos e halterofilismo, seus ... (continua)
(...) músculos tenderão a se contrair e tensionar, impedindo o fluxo natural de Ki. É preferível deixar que seu corpo se desenvolva naturalmente. Mesmo que esculpir o corpo não seja uma prioridade no Aikido, o próprio treinamento acabará resultando em um corpo mais forte e em músculos mais flexíveis.
•O Aikido deixa o praticante mais forte?
O Aikido deixa o praticante muito mais forte. No Aikido, nós modelamos a mente e o corpo por meio do treinamento diário. O desenvolvimento da força espiritual nos dá uma confiança imbatível, suficiente para enfrentarmos qualquer situação difícil. Essa é a verdadeira força.
•Qual é o fator mais importante para o desenvolvimento espiritual?
O Aikido é Budo. Não é um mero treinamento mental. A única maneira de aprender é pela experiência autêntica proporcionada pelo treinamento diário. Não se trata de um ato simples como entoar um cântico ou ler um texto. É muito importante que se saiba disso. Não se abalar com qualquer coisa e não se afastar do seu centro – esse é o cerne dos ensinamentos do Aikido. Nas artes marciais, o aluno aprende a se manter centrado, concentrando-se no seika tanden. No Aikido, a importância do seika tanden não é descartada, mas o conceito de ... (continua)
(...) centramento é muito mais abrangente – você tem de estar centrado desde o seika tanden até a sola dos pés, tem de estar centrado na terra, e tem de estar centrado e conectado com o centro do Universo. Se conseguir isso, você será capaz de compreender a natureza cósmica de todas as coisas.
•No Aikido enfatiza-se a força da respiração (Kokyu Ryoku). Ela está relacionada com a capacidade pulmonar?
A força da respiração mencionada no Aikido é muito mais do que a capacidade pulmonar. Ela envolve a utilização do corpo inteiro. Não é simplesmente a respiração, mas o poder concentrado que surge quando o corpo e a mente são unificados. A força da respiração é crucial para o Aikido. Mesmo que a capacidade pulmonar da pessoa não aumente, ela ainda assim pode conseguir um grande poder liberador por meio da unificação do corpo e da mente. A força da respiração e o Ki são as usinas de força do Aikido. Não existem seres humanos que não respirem, e todos respiram inconscientemente. Se a respiração pára, partimos rapidamente desse mundo. A respiração é o mais natural dos reflexos. O Ki e a força da respiração são indivisíveis, são o cerne do Aikido.
Respostas por Moriteru Ueshiba, neto do fundador e atual Doshu.
"Fazer o treinamento de modo vibrante e alegre" -- Morihei Ueshiba
Ao entrarem pela primeira vez num Dojo de artes marciais tradicionais, os visitantes costumam sentir-se constrangidos com as reverências e outras etiquetas. Elas, à primeira vista, podem parecer superficiais e desnecessárias. No entanto, cada ponto de etiqueta tem a sua origem no Bushido ("caminho do guerreiro" - código de conduta e modo de vida para o Samurai) e na preocupação pela segurança pessoal e o bem-estar de todos.
As 7 Virtudes do Bushido:
• GI - Justiça e Moralidade, Atitude direta, razão correta, decidir sem hesitar;
• YUU - Coragem, Bravura heróica.
• JIN - Compaixão, Benevolência.
• REI - Polidez e Cortesia, Amabilidade.
• MAKOTO - Sinceridade, Veracidade total.
• MEIYO - Honra, Glória;
• CHUU - Dever e Lealdade.
ORIENTAÇÕES BÁSICAS
DOJO: Do = Caminho Jo = Local
DOJO é o local sagrado para a prática do Caminho. É onde treinamos buscando o crescimento físico, mental, emocional e espiritual em harmonia com o Universo. É importante mantermos pensamentos, sentimentos e atitudes corretos.
Na porta de entrada fazemos uma reverência juntando os pés e mantendo as mãos lateralmente ao corpo, flexionamos 45 graus a coluna, que se mantém ereta.
A reverência é uma manifestação externa de respeito e de humildade que deve vir de clara compreensão e sentimento puro de apreço e gratidão pelos ensinamentos.
ENTRADA NO DOJO
1. Não entrar no Dojo usando sapato, tênis, chinelos, sandálias, boné ou lenço na cabeça.
2. Usar chinelo para uso exclusivo no Dojo que será marcado com nome e guardado em lugar vago na sapateira.
TATAME – Local dos treinos
1. Tirar os chinelos deixando-os alinhados do lado de fora do tatame, com a ponta do chinelo voltado para fora.
2. Fazer duas reverências: a primeira ao Kamiza (altar) e a segunda ao sensei ou responsável pela aula. Ficar em seiza (de joelhos com os quadris apoiados nos tornozelos). Juntar as mãos na altura do rosto e em seguida inclinar cabeça com as mãos juntas espalmadas em triângulo no tatame, mantendo os dedos juntos.
DURANTE O TREINO
1. Sentar-se em seiza ou com as pernas cruzadas no estilo japonês, no caso de sentir dores nos joelhos quando o sensei estiver falando ou demonstrando. Nunca fique de pé (é sinal de desrespeito), nem deitado ou sentado fora da posição adequada.
2. Assim que o sensei acabar a explicação, fazer reverência de agradecimento falando em voz baixa: DÔMO ARIGATÔ GOZAIMASHITA (muito obrigado pelo ensinamento).
3. Quando o sensei bater palma, cumprimentar o parceiro em agradecimento, sentar-se em seiza e aguardar novas instruções.
DURANTE O TREINO (continuação)
4. A reverência deve ser feita ao sensei mantendo-se na posição mais inclinado que este e se levantando depois que o sensei o fizer.
5. Antes de iniciar o treinamento com o parceiro fazer uma reverência a ele falando em voz baixa: ONEGAI ITAISHIMASU (por favor, me ajude).
6. Nunca cruze braços dentro do tatame.
7. Evite conversar durante o treino.
8. Se precisar sair momentaneamente do tatame durante um treino fazer uma reverência de pé, na direção ao altar, em respeito ao sensei.
9. Quando tiver dúvidas, procure orientação de um instrutor-pessoa encarregada da aula.
10. No início e término da aula, alinhar-se em seiza obedecendo graduação de faixa, e dentro das faixas, por idade, para as reverências necessárias. O mais graduado mantém-se à direita do sensei.
11. Não mascar chicletes, balas, bombons, no tatame.
12. Não usar jóias, relógios durante o treino para evitar acidentes.
OUTROS CUIDADOS E INFORMAÇÕES
1. Ficar em silêncio enquanto espera ou assiste o treino.
2. Mantenha seu quimono sempre limpo e em boas condições de uso.
3. Ajude a manter sempre limpo e em ordem o Dojo: tatame, vestiários, banheiros, copa.
4. Marque a sua freqüência na lista de presença.
5. Ao alcançar a habilidade e freqüência necessária, o aluno será convidado pelo sensei a fazer exame de faixa.
6. Pagar as mensalidades em dia é parte da disciplina. As mensalidades são essenciais para a manutenção e melhoria do Dojo. Caso tenha algum problema financeiro, falar com a Luana (Administrativo).
Raphael Sensei pratica artes marciais desde os 6 anos de idade. No Aikido, iniciou seu aprendizado em 2000 e atualmente treina com o Shihan Seizen Ono Sensei (7º Dan).
O Kaiki Dojo no Espaço Pawa liderado por Raphael é filiado à APA - Associação Pesquisa de Aikido, liderada pelo Shihan Ono Sensei.
>> Conheça o site da APA
>> Seminários e contatos com grandes Shihans
* Doshu Moriteru Ueshiba (neto do fundador
do Aikido e o atual Doshu) - Japão
* Hiroshi Kato Shihan (8º dan) – Japão
* Seki Shoji Shihan (7º Dan) - Japão
* Yoshiaki Yokota Shihan (7º Dan) – Japão
* Tsuruzo Miyamoto Shihan (7ºdan) – Japão
* Masatoshi Yasuno Shihan (7º dan) – Japão
* Christian Tissier Shihan (7º dan) – França
* Peter Bernath Shihan (7º dan) – EUA
* Donovan Waite Shihan (7º dan) - EUA
* Claude Walla Shihan (6º dan) – Brasil
Seminário Miyamoto Shihan | uke: Raphael Sensei
>> Um pouco sobre o Shihan Ono Sensei
Demonstrando técnicas bastante energéticas, fortes e refinadas
crédito das imagens: Ricardo Miyajima
Horários: Adulto (*)
Segunda & Quarta-feira: 07h30 às 09h40
Terça & Quinta-feira: 20h00 às 21h30
Sábado: 10h30 às 12h30
(*) Idade mínima: 12 anos
Horários: Kids (*)
Terça & Quinta-feira: 16h30 às 17h30
(*) Para crianças de 8 a 13 anos de idade -- qualquer dúvida, favor entrar em contato conosco